AMÉRICA DO NORTE / Toronto
Caio Tristão
Caio Tristão
Postado em 05/08/15

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O que fazer | Onde ficar | O que comer | Quando ir | Como ir

Você sabia que grande parte dos filmes hollywoodianos usam Toronto como pano de fundo para retratar grandes cidades americanas, em especial Nova York? Pois é verdade. A mais famosa cidade canadense é prima-irmã da mais badalada metrópole americana. E faz sentido.

Toronto e Nova York são duas megametrópoles e centros de encontro de dezenas de nacionalidades, fazendo de ambas as cidades verdadeiros caldeirões multiculturais – em Toronto, praticamente 50% da população nasceu fora do Canadá. Toronto e Nova York têm trânsito pesado, uma enorme região metropolitana e atividade urbana intensa; além de uma vida à beira lago, na canadense, e beira rio, na americana.

Claro que há diferenças entre as duas, e a maior delas – não me leve a mal – é que Toronto não tem o mesmo apelo lúdico de Nova York.

Toronto é superinteressante, mas é confusa. Também não espere aquele charme europeu que você quer ver no Canadá; não há qualquer arquitetura clássica (a cidade é modernona) e ninguém fala francês (aliás, o sotaque do inglês é totalmente americanizado).

Na boa, o Canadá cool-metido-a-besta você só vai encontrar dali pra cima, em especial em Quebec e arredores.

Mas, ó: você não vai sair por aí dizendo que eu falei que Toronto é sem graça, porque não é verdade, né? A cidade tem uma penca de coisas legais para fazer e cai muito bem como porta entrada para visitar o país do maple syrup. Vá lá!

* A propósito, esta página está ilustrada com recortes de imagens do fotógrafo com o olhar mais singular que eu conheço, e que recentemente viveu uma temporada no Canadá: o meu pai, Vitor Nogueira ©.

O QUE FAZER

Para entender o básico de Toronto, é preciso concentrar-se no hipercentro Downtown: o bairro que aglomera um amontoado de arranha-céus, o conjunto financeiro principal do Canadá e 90% das atrações da cidade.

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toronto-ruaFotos: Vitor Nogueira ©

Entendendo Downtown

Toda a região tem uma área extensa, mas é super cômoda para quem está a pé e quer cumprir sem pressa a lista das principais atrações. Se você sair batendo perna pelas agradáveis e movimentadas ruas, mal vai perceber o quanto andou quando atingir outro ponto do mapa.

Para se ter uma ideia, entre os extremos Chinatown (na Av. Spadina) e o Distillery District, já lá perto do rio Don, são 4Km de distância – e dá para ir andando numa boa, vai.

Para quem vem de um pouquinho mais longe, a linha amarela do metrô faz um U em Downtown, tornando a locomoção bem fácil.

Bem. A verdade é que suas caminhadas farão sentido se você estiver na cidade entre junho e setembro, priorizando o verão. Como se sabe, o Canadá tem um inverno praticamente polar e, na maior parte do ano, seus programas de passear livremente pelas ruas acabam descendo escada abaixo (com trocadilho!).

Existem duas Downtown’s: a das ruas e a das galerias subterrâneas. São 29Km de uma gigantesca rede de túneis que tornam a cidade habitável enquanto a neve despenca lá fora. O PATH, como é conhecido, é um conjunto de galerias de passagem com lojas sendo o maior complexo comercial subterrâneo do mundo; ou seja, o maior shopping embaixo da terra que existe. É tipo uma cidade embaixo da outra.

Não é fácil se encontrar no PATH e, no primeiro contato, ele pode ter mais cara de labirinto do que de caminho. Por isso, considere-o apenas na necessidade do inverno e sempre com um mapinha em mãos – o site também tem os detalhes da “malha” toda (veja AQUI).

O que vale a pena?

Não dá para sair de Toronto sem dar um pulo na Dundas Square, a praça cruzamento das ruas Dundas e Yonge, o centro geográfico de Downtown. Dundas Square é a Times Square torontoniana (enormes painéis de led, lojas, cartazes, e um calçadão meio chafariz).

Na quadra ao lado, outra praça, a Nathan Phillips Square, também é cartão-postal. Ponto de encontro de todos que passam por Toronto, o laguinho sobre o concretão fica mais legal no inverno, quando se transforma numa pista de patinação no gelo a céu aberto.

Para o lindíssimo Royal Ontario Museum, o maior do Canadá e um dos museus mais bacanas do mundo, compensa ir de metrô – desça na estação Museum Station. Passear no ROM é um programa excelente inclusive para a criançada. Macete: nas Sextas-feiras o museu funciona até mais tarde e todas as entradas após às 16:30hs pagam metade do valor do ingresso.

toronto-royal-ontario-museumProjeto do polonês Daniel Libeskind

Mercadão

Um dos lugares mais bacanas da cidade é o “mercado central” St. Lawrence Market, um tradicional ambiente que reúne vários produtores locais, em mais de 70 lojas e estandes, com delícias de vários cantos do planeta. Com tempo (e apetite!) vale sair beliscando em cada quitanda. Prove excelentes peixes defumados e os pastéis ucranianos pierogi. Peça um cafezinho com pastelzinho de belém, em português. Experimente os inúmeros tipos mostardas e azeitonas. Não saia de lá sem o clássico pão com mortadela sanduba de peameal bacon, típico do Canadá.

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O momento “compras de delicatéssen” devem ficar guardados para o andar de baixo do mercado. Faça uma parada obrigatória no Seu Rube, o vendedor mais antigo do pedaço, proprietário da Rube’s Rice, com a maior quantidade de tipos de arroz – e grãos em geral – que eu já vi. Outro charme é a Honey World, com uma infinidade de variações de mel, originários principalmente da Nova Zelândia. Inclua também o Olympic Cheese Mart, com dezenas de variedades de queijo.

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O passeio ao mercado de St. Lawrence fica redondo se você de lá caminhar até o Distillery District: uma elegante vila antiga que ocupa um quarteirão inteiro com lojas, galerias de arte, palcos, cafés, bares e aclamados restaurantes. Cai muito bem para uma janta ou apenas um incrível chocolate quente no Soma Chocolatemaker. Fica a dica.

A turistagem oficial de Toronto

Eu sei, você vai querer subir no cocuruto da CN Tower e andar sobre o chão de vidro a 342 metros de altura. O passeio custa C$ 32, mas sai mais barato se comprar antecipadamente online (AQUI). Para jantar lá no topo, no Restaurante 360, a reserva é mandatória (AQUI). Quanto melhor e mais bonito estiver o dia, melhor será o passeio.

Para os que fazem bico para altura, a melhor vista da CN Tower está na Ilha de Toronto, o giro mais legal da cidade.

Para chegar na Toronto Island é preciso pegar o ferry no Harbourfront, à beira do lago Ontario, no final da York Street. São C$ 7 ida e volta e o desembarque acontece no Centre Point. A área da ilha é toda muito agradável e a maneira mais fácil de rodar por lá é de bike (alugue uma na Avenue of The Island por 8 dólares por hora). Minha dica é ficar na ilha até o anoitecer para ter a chance de ver o skyline de Toronto se transformar e poder tirar a foto mais famosa do Canadá. Saca só!

toronto-cn-tower-skylineReforço: fotos de Vitor Nogueira ©

Por último, outro beabá da cidade é o bairro/calçadão The Beach – a única atividade da minha lista fora de Downtown. Os três quilômetros de bikers, skaters, rollerbladers, joggers and so on têm ótimo astral!

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Niagara Falls

Sim, as quedas d’água de Niagara podem ser consideradas atrações de Toronto.

Distantes apenas 140 Km uma da outra, é muito prático fazer um bate-volte desde Toronto até as ilustres cataratas, já na fronteira com os EUA. De carro alugado, gastei 1h30 de viagem em ótima estrada e trânsito moderado. É fácil demais.

Ao chegar em Niagara você se dá conta de que, na verdade, não existe nenhum parque nacional de proteção ambiental, tampouco uma área de reserva ecológica para observar as quedas. As cataratas estão ali, na beira da cidade; digo, na verdade, a cidade está ali, com uma avenidona e tudo, à beira das cataratas. Para visitar não paga nada.  Basta você caminhar na calçada à beira-quedas – e sair todo molhado.

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O barco que avança até pertinho da cachoeirona é o Maid of the Mist e faz fila no verão. Não sei dizer se vale a pena, porque não encarei o passeio.

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Visitar Niagara é legal, mas não sei se vai te impactar assiiiiiim como tanto espera. Desculpe.

Para ir de trem, com saída da Union Station, a viagem dura em torno de 2h30 o trecho. As passagens podem ser compradas com antecedência no site da Via Rail. De ônibus, a empresa mais popular é a Greyhound, com muitos horários todos os dias e saídas do terminal de ônibus de Toronto.

Vale a pena pernoitar em Niagara? Nã-na-ni-na-não. A cidade tem umas lojinhas, uns casinos modestos e nada mais. Aposte num day tour, que tá bom demais.

ONDE FICAR

Não tem como fugir, vai: você vai ter que se hospedar em algum lugar da região de Downtown. O miolinho, mais movimentado, gira em torno da Dundas Square (Marriott, Eaton Chelsea e Double Tree cumprem o que prometem).

No Entertainment District, colado na CN Tower, considere os hotéis Residence Inn, Hilton Garden ou o chiquérrimo Ritz-Carlton.

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Em Old Town, a duas quadras do St. Lawrence Market, o Holiday Inn Express é uma ótima opção mais em conta.

Para quem tem bala (e pompa), arrisque o Four Seasons em Yorkville.

O QUE COMER

De tudo que sei, acho que não há prato mais típico no Canadá do que o poutine: uma cama de batatas fritas, coberta com cubos de queijo e um molho tipo madeira e só. O poutine é tipicamente da província de Quebec, mas pode ser encontrado em todo o país, inclusive nos McDonald’s e Burger Kings canadenses! É sério. (olha só: aqui e aqui)

Vai encarar? Os poutines mais aclamados de Toronto estão no Victory Cafe (581 Markham St) e no disputado Poutini’s House of Poutine (1112 Queen St W).

Pra mim, a tentação mesmo ficar por conta dos sanduíches de peameal bacon, já citados ali em cima como a versão pão com mortadela da cidade. Os mais tradicionais e que valorizam seus dólares estão na Carousel Bakery, no St. Lawrence Market.

Ah, e jamais esqueça de lambuzar seus waffles e pancakes de café da manhã com os melhores e verdadeiros maple syrups.

QUANDO IR

Toronto está disponível o ano inteiro. O verão é ameno, mas entre Julho e Setembro podem haver picos de 30 °C; a cidade fica bombada de eventos culturais e opções de lazer – e o trânsito caótico.

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No resto do ano o frio domina (primavera e outono com médias de 10 graus), e o inverno é polar. De Janeiro a Março os termômetros marcam facilmente 15 graus negativos!! A neve toma conta e todo mundo aproveita para patinar no gelo. A temporada de hóquei, o esporte mais popular do país, é a única coisa que esquenta a cidade nesta época.

COMO IR

A Air Canada opera voos diretos e diários de São Paulo para Toronto, com saídas às 20:25hs. Do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, a companhia mantem saídas às Terças, Quintas e Sábados, sempre às 20:04hs.

Para os brasileiros que possuem o visto americano, além do canadense, no passaporte, vale a pena buscar voos de conexão em empresas americanas (Delta, US Airways, American, United) – os preços podem ser até 30% mais baratos.

Vale lembrar que brasileiros precisam de visto para entrar no Canadá. A página do Centros de Solicitação de Vistos para o Canadá (CVAC), fornecido pela embaixada no Brasil, é bem completa e detalhada. Saiba mais AQUI.

1 Comentário

  1. Ligia EM 15/01/2016

    Ótimas dicas! Obrigada.

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