Gastando Dinheiro no Exterior
Caio Tristão
Caio Tristão
Atualizado em 23/07/15

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Roteiro definido, hotéis reservados, passagens compradas e frio na barriga. Aquela ansiedade vai batendo e sempre pinta a dúvida. Como levar dinheiro para minha viagem ao exterior? Cartão de Crédito, Débito, Cartão Pré-pago, Traveler Cheque, Dólar, Euro? A decisão não é simples e a quantidade de fatores que devem ser considerados é grande. Até porque a gente suporta um perrengue ou outro durante as férias, mas prejuízo ou aperto não dá!

É preciso analisar cada alternativa, balanceando prós e contras, e a partir daí fazer um combo que esteja alinhado com o seu tipo de viagem. Quanto custa sua comodidade e segurança? Qual o tamanho da sua economia? Tem muita coisa para olhar, muito além do incômodo percentual do IOF.

Dinheiro em espécie:

Não tem jeito, você vai precisar levar dinheiro vivo para a sua viagem. Não dá para contar apenas com os cartõezinhos magnéticos de crédito e débito e os primeiros custos no exterior vão depender de cash em mãos (uma água, um bilhete de ônibus, táxi, metrô, etc). Dólar será sempre a referência para qualquer destino, mas é viável conseguir outras moedas como Euro, Libra Esterlina, Dólar Canadense e Australiano.

É importante estar claro que a cotação que você vê no jornal jamais será a mesma praticada pelas casas de câmbio, agências de turismo e bancos. É por isso que os valores variam tanto e vale uma pesquisa em busca da melhor oferta. Sua compra deve ser feita num lugar homologado e que emita recibo oficial, discriminando a taxa de câmbio e o IOF. (Carregue o recibo contigo)

-> Tem bom rendimento 
De todos os meios de pagamento, a aquisição da moeda estrangeira ainda é a que menos sofre com o percentual do IOF, sujeito a apenas 0,38% e aplicado no ato da compra. Com dinheiro em mãos você já tem o controle dos seus gastos e não fica à mercê de oscilações cambiais do mercado.

A prática para garantir o melhor valor é, uma vez com a data da viagem confirmada, iniciar a compra do dinheiro em parcelas semanais até as vésperas do embarque. Desta forma, você garante o melhor preço médio e evita dores de cabeça com altas inesperadas.

-> Bolso furado 
O risco do dinheiro vivo é exatamente a insegurança em ter que carregá-lo. Ser roubado ou perder suas economias pode simplesmente destruir suas férias – e isso tem preço altíssimo. Ah, se você é daqueles que tratam dinheiro na mão como vendaval, eu também consideraria isso como uma ameaça. 

-> Macetes
Um número mágico é levar 30% do seu planejamento de gastos em papel-moeda. Isso não tem menor embasamento científico e sei lá se funcionaria para você, mas esta é a minha conta. Mantenho tudo guardado para uma urgência e priorizo os gastos do dia a dia utilizando outras alternativas. Guardar o dinheiro no cofre, ou dentro da mala trancada com cadeado, é obrigatório. Durante o voo e caminhando na rua, também não abra mão de um bolso falso (daqueles tipo pochete que ficam por baixo da roupa).

E o Real?
Nossa moeda brazuca tem valor sim e faz muito sentido você levar um tanto deles quando for visitar Uruguai, Argentina, Chile e até Peru. Nas capitais, qualquer casa de câmbio fará a troca sem dificuldade – prefira as de localização central e fuja das opções em aeroportos, evitando taxas administrativas. Nas cidades mais turísticas do interior (Punta del Este, Colonia do Sacramento, Bariloche, Pucón, Cusco, etc) também é possível fazer o câmbio com boas cotações.

A vantagem do real é, obviamente, a isenção de qualquer imposto. Além disso, você não vai precisar trocar seu dinheiro duas vezes, se livrando das perdas de comprar dólar no Brasil. Mesmo assim, esteja atento aos valores praticados em restaurantes e hotéis, sempre priorizando o câmbio antecipado em agências oficiais. A desvantagem é sofrer com o mesmo risco de transportar dinheiro vivo.

Cartões de Crédito

Por muitos anos, os cartões de crédito eram considerados os grandes vilões da viagem. Como o imposto era alto (e exclusivo), todo mundo os evitava durante os gastos no exterior. Por outro lado, não dá para viajar sem pelo menos um deles, sendo essencial para qualquer emergência. Hoje em dia, cartões de crédito oferecem bons benefícios e já estão no páreo com os outros modos de pagamento, agora com taxas idênticas.

-> Tem bom rendimento 
A alíquota de IOF aplicada é de 6,38% em cima de cada transação realizada fora do Brasil. Apesar de assustar, não há taxas adicionais e os cartões das principais bandeiras são amplamente aceitos, seguros e práticos. A cotação do dólar (moeda base para cálculo, independente do país da compra) pode ser vantajosa, uma vez que os bancos usam a taxa comercial, mais barata do que o dólar turismo praticado pelas casas de câmbio. Mas na boa, a melhor regalia são os pontos creditados nos programas de fidelidade, que podem ser trocados por passagens aéreas numa próxima viagem.

-> Bolso furado 
A instabilidade cambial é que incomoda. A viagem programada para daqui a dois meses pode ter custos muito aumentados se dependermos exclusivamente dos cartões de crédito. Mais do que isso, a cotação do dólar no fechamento pode variar (muito) com a do dia do pagamento – e este custo extra vai pintar na sua conta no mês seguinte.

-> Macetes
Confirme com o banco o seu limite de gastos para não ficar de bolso vazio. Também não esqueça de fazer o desbloqueio do cartão para uso no exterior, listando os países que vai visitar e o período da viagem. Faça isso pelo telefone ou online, quando aplicável. Anote os telefones de atendimento internacional do seu banco e da operadora do cartão.

Cartões de Débito – Saque em conta corrente

Disparado, sempre foi a minha forma predileta de controle de gastos. Ainda não sei por que muita gente desconhece esta opção. E é simples. Basta você habilitar o seu cartão de débito para realizar saques na conta corrente no exterior. E não precisa ser um caixa eletrônico do seu banco: os saques podem ser feitos em qualquer caixa interligado às redes internacionais Cirrus-MasterCard e Plus-Visa. Em inglês, na função saque (Withdraw ou Fast Cash) escolha a opção Checking para conta corrente (Credit é credito e Savings são as aplicações).

-> Tem bom rendimento 
Desde de Dezembro/2013 a taxa de IOF para saques internacionais na conta corrente também é de 6,38% – foi quando esta alternativa deixou de ser a mais vantajosa. No momento do saque, o débito é feito na sua conta, considerando a cotação do dólar do dia, incluindo o IOF e acrescido de uma tarifa de uso do caixa que varia de 5 a 20 reais por retirada.

O grande lance é a facilidade e segurança oferecida pelos cartões com a vantagem de se obter dinheiro em espécie na moeda local. Também fica fácil controlar os gastos sem surpresas, acompanhando o consumo da sua conta ao consultar seu saldo durante o andar da carruagem.

-> Bolso furado 
São pouquíssimos os lugares que você terá dificuldade em realizar seu saque, mas não é qualquer caixa eletrônico que está interligado às redes internacionais com essa opção habilitada. É preciso também estar atento ao seu saldo em conta, evitando o consumo dos limites especiais, duplicando seus gastos. Por último, a soma do IOF com a taxa de uso acaba desencorajando o uso, apesar da praticidade.

-> Macetes
Mesmo assim, eu sou adapto desta opção. Acho funcional e descomplicada. Para ser vantajoso, faça poucos saques e sempre altos para que as tarifas não pesem. Novamente, não esqueça de fazer o desbloqueio do cartão para uso internacional.

Cartão Pré-pago

Quando o governo brasileiro alterou a tarifação do IOF em Dezembro de 2013, aplicando a taxa de 6,38% inclusive para os cartões pré-pagos, eles deixaram na mesma hora de ser a modinha e os prediletos dos turistas brasileiros. Era realmente vantajoso creditar seus custos num bichinho deste e viajar despreocupado, tendo todo o controle dos gastos. Hoje em dia, acho que eles perdem o embate para os cartões de crédito.

-> Tem bom rendimento 
Como toda a família de cartões, eles são práticos, seguros e largamente aceitos. O diferencial é ter todo o controle dos gastos: você sabe a cotação que pagou no ato da carga; leva uma quantidade controlada de dinheiro; pode acompanhar e recarregar seu saldo facilmente online. Caso o estabelecimento não aceite este tipo de cartão, também é possível fazer saques em caixas automáticos.

-> Bolso furado 
Com o mesmo IOF do cartão de crédito, eles morrem com a desvantagem de não acumular milhas num programa de fidelidade.

-> Macetes
São centenas de marcas espalhadas por aí, por isso recomendo que você só compre cartões pré-pago em bancos ou casas de câmbio confiáveis. Os conhecidos são: Visal Travel Money, Mastercard Travel Card, Global Travel e Cash Passport.

Traveler Cheque

Peraí! Eles ainda existem? Alguém tem notícias dos Traveler Cheques ou hoje eles vivem isolados numa tribo da Nova Caledônia?

Cada vez mais difíceis de comprar e de encontrar lugares para usá-los, os cheques de viagem caíram em desuso absoluto. Eu não vejo mais razões para preferi-los, ainda mais com o mesmo percentual de IOF de 6,38%. Ainda assim…

-> Tem bom rendimento 
Ainda são seguros, pois em caso de roubo ou perda você será ressarcido em até 24 horas.

-> Bolso furado 
É cada vez mais difícil encontrar lugares que aceitam ou trocam os Traveler Cheques por dinheiro – e se encontrar, é possível que seja cobrada uma taxa administrativa pela transação.

-> Macetes
Uma vez com eles em mãos, dê uma procurada na internet sobre locais de troca no seu destino. Anote os endereços e já tenha esta carta na manga para facilitar sua vida e minimizar seu trampo.

Afinal, qual o melhor?

Por último, galera, está claro que não há uma maneira ideal de levar sua grana e saber jogar com as opções é o que vai te proporcionar melhores tarifas, mais conforto e segurança. Um combinadão com tudo que o mercado oferece é a prevenção melhor que qualquer remédio.

Como já disse, eu mantenho o dinheiro em espécie (30%?) guardado para qualquer emergência. Priorizo saques em conta corrente e uso o cartão de crédito apenas para pagamento de custos já programados (diárias de hotel, reservas de carro ou uma compra tentadora). Para evitar tormento, tenho sempre dois cartões desbloqueados, de operadoras diferentes. Um anda comigo na carteira e o outro sempre trancado na mala ou no cofre – em caso de roubo, perda ou zica, terei uma segunda chance.

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